terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A PROIBIÇÃO DE ENTRADA DE CELULAR EM PRESÍDIO


A entrada de celular e outros aparelhos similares nos estabelecimentos penais brasileiros é hoje, sem dúvida, um dos mais graves e complexos problemas que desafiam a Administração Penitenciária de todas as unidades da federação, especialmente pelas conseqüências maléficas que resultam desse ingresso.
Usados, invariavelmente, como instrumentos eficazes de orientação e coordenação de práticas ilícitas pelas organizações criminosas que atuam dentro e fora dos presídios, esses aparelhos adquiriram, ao longo dos anos, status de armas poderosas nas mãos de criminosos. Tornaram-se, portanto, motivo de cobiça de grupos de prisioneiros perigosos e utilizados em movimentos que levam à desestabilização do sistema prisional. Impressiona a variação de valores no comércio clandestino, capazes de instigar e surpreender o mais conservador dos economistas, sendo possível encontrar modelos de média tecnologia e de boa qualidade a preços inferiores a R$ 200 reais. E o mercado é lucrativo. Se a aquisição desses aparelhos é uma pechincha, os resultados financeiros obtidos com a sua utilização na prática de seqüestros, extorsões, tráfico ilícito de entorpecentes e outros crimes afins constituem atraentes investimentos que sustentam as organizações criminosas dentro e fora dos estabelecimentos penais do país.

Inquestionável o avanço tecnológico que representou o surgimento do aparelho de telefonia móvel, sob todos os aspectos. Integrado ao cotidiano das pessoas há mais de 30 anos, o crescimento do uso do telefone celular teve como fator determinante a privatização da telefonia móvel no Brasil a partir de 1997. Isso fez com que esses aparelhos fossem jogados no mercado em quantidade e velocidade impressionantes, algo comparado à venda de pão quente em padaria. E foi nessa velocidade a sua propagação para dentro dos mais variados tipos de estabelecimentos penais do país.

Matéria publicada na Revista Veja mostra existirem, em Estados como o Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e São Paulo, além do Distrito Federal, mais celulares que habitantes.

No Estado do Amazonas, por exemplo, com 3,3 milhões de habitantes, a ANATEL registra que, para cada cem moradores, 94,38 têm telefone celular, colocando o Estado em 16º no ranking de densidade nacional por código.

Pesquisas constatam, ainda, ser o celular tão onipresente que até o ano passado havia no mundo mais pessoas com um aparelho do que sem algum. A explicação está na segurança e no acesso instantâneo à informação, oferecidos por esses aparelhos, algumas vezes superando a comunicação pessoal. Não se poderia esperar que essa avaliação pudesse ser diferente com a comunidade penitenciária.

Há, no jargão carcerário, vetusto aforismo no sentido de que: basta um celular para iniciar uma rebelião de grandes proporções. Aparentemente incrédula esta afirmação foi objeto de constatação ao longo dos anos, não só na organização e comando de rebeliões e motins, como também no planejamento de seqüestros, extorsões e assassinatos fora do cárcere.

Diante desse quadro, foram buscadas alternativas para combater a entrada de celulares nos presídios brasileiros . Intensificado o rigor nas revistas nos estabelecimentos penais, deparou-se com a ausência de tipificação da conduta de quem, de qualquer modo, contribuiu para esses aparelhos serem introduzidos no interior dos referidos estabelecimentos. Surge, então, legislação nesse sentido. E, se não foi capaz de alcançar as hipóteses mais freqüentes da ocorrência do fato em questão, de forma positiva disponibiliza instrumentos legais de punição àqueles que atentam contra a ordem e a disciplina carcerárias.

Texto na Integra: http://www.carceraria.org.br/fotos/fotos/admin/Mais/Artigos/PROIBICAO%20DE%20CELULARES%20EM%20PRESIDIOS.pdf


Carlos Lélio Lauria Ferreira é Secretário de Justiça e Direitos Humanos do Estado do Amazonas; Presidente do Conselho Nacional de Secretários de Justiça, Cidadania, Direitos Humanos e Administração Penitenciária – CONSEJ; Coordenador Executivo do Comitê Permanente da América Latina para Revisão e Atualização das Regras Mínimas das Nações Unidas para Tratamento dos Presos criado pela Fundação Internacional Penal e Penitenciária
 
Maurício Kuehne é Promotor de Justiça aposentado; Professor Titular de Direito Penal do UNICURITIBA; Membro Titular do Conselho Penitenciário do Paraná; Membro da Academia Brasileira de Direito Criminal, na condição de Acadêmico; Membro da Academia Paranaense de Letras Jurídicas, na condição de Acadêmico; Ex-membro e Vice Presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (2000/2008); Ex-Diretor Geral do Departamento Penitenciário Nacional (2005/2008); Advogado militante.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Seminário Nacional do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária




Seminário Nacional do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária


A REFORMA PENAL APÓS 25 ANOS: REFLEXÕES E DESAFIOS

23 a 25 de novembro, na ESM da AJURIS, Porto Alegre/RS,

Dia 23/11/2009

18:00 às 19:00

Credenciamento

19:00

Sessão de Abertura “Espaço CNPCP”

Tarso Genro (Ministro de Estado da Justiça)

Airton Aloisio Michels (Diretor do DEPEN e Conselheiro do CNPCP)

Geder Luiz Rocha Gomes (Presidente do CNPCP e Promotor de Justiça do Estado da Bahia)

Sérgio Salomão Shecaira (Professor Titular de Direito Penal da USP e ex-presidente do CNPCP)

Conferência Prisão, Razão e Desrazão

Luis Eduardo Soares (Sociólogo e Professor da UERJ)

Dia 24/11/2009

08:30 às 10:00

Painel 1 – Culpabilidade

Juarez Tavares (Procurador da República do Estado do Rio de Janeiro e Professor da UERJ)

Wellington César (Promotor de Justiça do Estado da Bahia e Professor da UNIFACS-BA)

Mediador: Sidinei Brsusca (Juiz de Execução Penal do Estado do Rio Grande do Sul)

Relator: Rogério Gesta Leal (Desembargador do Estado do Rio Grande do Sul e Conselheiro do CNPCP)

10:00

Coffee Break

10:30 às 12:30

Painel 2 – Medida de Segurança

- Eduardo Reale Ferrari (Professor da USP e Ex-conselheiro do CNPCP)

- Fernanda Otoni (Psicóloga do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais)

- Mediador: Claudemir Missaggia (Juiz de Execução Penal do Estado do Rio Grande do Sul)

- Relator: Herbert José de Almeida Carneiro (Desembargador do Estado de Minas Gerais e 1º Vice-Presidente do CNPCP)

14:30 às 16:00

Painel 3 – Alternativas à cultura do encarceramento

Aury Lopes (Professor da PUC/RS e Advogado)

Geder Luiz Rocha Gomes (Presidente do CNPCP e Promotor de Justiça do Estado da Bahia)

Mediador: Gilmar Bortoloto (Promotor de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul)

Relator: Fernando Braga Viggiano (Subprocurador Geral de Justiça do Estado do Goiás e
Conselheiro do CNPCP)

16:00

Coffee Break

16:30 às 18:30

Painel 4 – Controle da Execução Penal

Renato Flávio Marcão (Promotor de Justiça do Estado de São Paulo e Professor de Direito Penal,

Político e Econômico)

Carlos Eduardo Adriano Japiassú (Professor da UERJ e Conselheiro do CNPCP)

Mediador: Carlos Frederico Guazzelli (Defensor Público do Estado do Rio Grande do Sul e Conselheiro do CNPCP)

Relator: Christine Kampmann Bittencourt (Juíza de Execução Penal do Estado do Paraná e Conselheira do CNPCP)

Dia 25/11/2009

09:00 às 10:30

Painel 5 – Situações Especiais de Encarceramento

Sérgio Salomão Shecaira (Professor Titular de Direito Penal da USP e Ex-presidente do CNPCP)

Ela Wiecko Volkmer de Castilho (Corregedora Geral do MPF e 2ª Vice-Presidente do CNPCP)

Mediador: Marcus Flávio Rolim (Professor do IPA e Conselheiro do CNPCP)

Relator: Valdirene Daufemback (Psicóloga e Conselheira do CNPCP)

10:30 às 12:00

Conferência de Encerramento – Uma análise acerca dos 25 anos da reforma penal

René Ariel Dotti (Advogado e Professor da Universidade de Direito Penal e federal do Estado - Expresidente do CNPCP)

12:00 às 12:30

Encerramento

Geder Luiz Rocha Gomes (Presidente do CNPCP e Promotor de Justiça do Estado da Bahia

Fonte: MJ

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Projeto de Orientação para Liberdade



Os membros do Conselho da Comunidade de Foz do Iguaçu (CCFI) participaram na útima sexta-feira (13) de mais uma edição do Projeto de Orientação para a Liberdade. Organizada pela equipe de Psicologia da Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu, a iniciativa fornece aos encarcerados orientações sobre sua situação criminal, a reintegração social e uma vida saudável em liberdade.


Pelo Conselho, estiveram presentes a estagiária de Serviço Social, Aline Ramires, e de Sistemas de Informação, Willian Wurmeister. Durante os esclarecimentos  sobre o as atividades do Conselho da Comunidade,  um capítulo especial aos detentos que estão na fase de transição do cumprimento da pena em regime semi-aberto para o aberto.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

CNJ - Projeto Começar de Novo



ERRAR É HUMANO. AJUDAR QUEM ERROU É MAIS HUMANO AINDA.

AJUDE UM EX-DETENTO A FAZER A OPÇÃO CERTA.

O Projeto Começar de Novo compõe-se de um conjunto de ações voltadas à sensibilização de órgãos públicos e da sociedade civil com o propósito de coordenar, em âmbito nacional, as propostas de trabalho e de cursos de capacitação profissional para presos e egressos do sistema carcerário, de modo a concretizar ações de cidadania e promover redução da reincidência.

 Projeto comporta as seguintes iniciativas:

1. Realizar campanha de mobilização para a criação de uma rede de cidadania em favor da ressocialização;

2. Estabelecer parcerias com associações de classe patronais, organizações civis e gestores públicos, para apoiar as ações de reinserção;

3. Implementar iniciativas que propiciem o fortalecimento dos Conselhos da Comunidade, para o cumprimento de sua principal atribuição legal - reintegração social da pessoa encarcerada ou submetida a medidas e penas alternativas.

4. Integrar os serviços sociais nos Estados para seleção dos beneficiários do projeto;

5. Criar um banco de oportunidades de trabalho e de educação e capacitação profissional;

6. Acompanhar os indicadores e as metas de reinserção.



quinta-feira, 5 de novembro de 2009

NOTA DE APOIO

Descaso para com o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher

Exemplo deveria vir de casa!! Aqui em Foz é muito diferente, durante abertura do evento DE INAUGURAÇÃO do Centro de Referência de Atendimento e Prevenção da Mulher em Situação de Violência, a Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, de Foz do Iguaçu, Teonilia Leite, não foi convidada para fazer parte da composição da mesa, apesar de toda luta na implementação deste Centro desde ano de 2004. Exclamou a Presidente do CMDM: "Sinto-me como uma mãe que gerou um filho e dele lhe foi arrancado entre seu braços ao nascer".

Postado http://nilaleite.blogspot.com/