quinta-feira, 20 de março de 2014

Com menos de 1% dos detentos, Apacs são alternativa para ressocialização

Com menos de 1% dos detentos, Apacs são alternativa para ressocialização

Apacs não têm carcereiros armados
Apacs são unidades prisionais administradas por ONGs e entidades da sociedade civil que, apesar de abrigarem menos de 1% da população carcerária brasileira, são apontadas pelo Poder Judiciário como um modelo mais positivo de ressocialização de presos em relação às prisões tradicionais.

Não há agentes penitenciários armados armados nas Apacs, e as portas das celas ficam abertas durante o dia. Os detentos são responsáveis pela limpeza e pela preparação da comida.
Mas críticos dizem que o sistema facilita a fuga de detentos (não há dados consolidados a respeito).
Além disso, muitos veem com ressalvas o forte elemento cristão das Apacs.
A reportagem da BBC Brasil visitou a Apac de Itaúna (MG), criada a partir da mobilização de um grupo da Pastoral Carcerária da Igreja Católica nos anos 1980.
Imagens: Miguel Angel Herrera

Atualizado em  20 de março, 2014 - 05:54 (Brasília) 08:54 GMT

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Prisões-modelo apontam soluções para crise carcerária no Brasil

Prisões-modelo apontam soluções para crise carcerária no Brasil

Preso fabrica contêiner em prisão no Mato Grosso do Sul (Foto: Keila Oliveira / Agepen - MS)Presídios pequenos, onde os presos trabalham e estudam são considerados mais eficientes

Unidades prisionais pequenas, estímulo do contato dos detentos com suas famílias e com a comunidade, trabalho, capacitação profissional e assistência jurídica eficiente. Essas são algumas das características de prisões consideradas modelo que já funcionam pelo país. Elas estão sendo tratadas pelas autoridades como possíveis soluções para os problemas do sistema prisional brasileiro.
O sistema carcerário do país já foi classificado de "medieval" pelo próprio ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Entre seus principais problemas estão os assassinatos, a superlotação, a falta de infraestrutura e higiene, os maus-tratos, a atuação do crime organizado e os motins.
Há pouco mais de dois meses essa realidade veio à tona com a explosão de violência no complexo penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão – que resultou na intervenção da Força Nacional após o assassinato de cerca de 60 detentos no período de um ano.
A crise acabou sendo amenizada com ações emergenciais, mas, para analistas em segurança, a única forma de evitar explosões de violência como essa é fazer mudanças estruturais nos sistemas carcerários dos Estados.
A BBC Brasil ouviu uma série de juristas e especialistas no setor prisional para levantar os problemas e fatores que podem nortear esse tipo de mudança.

Raíz do problema

Segundo o especialista em segurança pública Cláudio Beato, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, a violência dentro dos presídios está diretamente relacionada com a insegurança nas ruas.
Como o Estado falha em garantir a integridade dos presos em muitas unidades prisionais, segundo ele, para se proteger, os detentos se organizam em facções criminosas. Porém, esses grupos evoluem criando redes de advogados, formas de financiamento, obtenção de armas e assim elevam o crime para um nível mais nocivo, que afeta toda a sociedade.
"As prisões são as responsáveis pela mudança do patamar do crime no Brasil", afirmou.
A primeira forma de mudar a realidade carcerária seria então fazer o Estado cumprir seu papel de garantir a segurança dos detentos. Mas é mais difícil fazer isso em unidades prisionais enormes e superlotadas.
"Unidades (prisionais) pequenas e próximas da comunidade com a qual o detento tem laços: essa é a melhor forma para colaborar com a sua recuperação", afirmou o juiz Luiz Carlos de Resende e Santos, chefe do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário, um órgão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
Segundo ele, há atualmente no sistema prisional do país algumas unidades que possuem essas características e poderiam ser tomadas como modelos.
Santos diz que, na maioria dos casos, o bom funcionamento dessas prisões está diretamente relacionado a uma determinada gestão ou administrador. Por isso, a maioria das boas experiências acabam surgindo e desaparecendo em um movimento cíclico.
Ainda assim, algumas delas têm perdurado por anos e estão chamando a atenção dos especialistas do setor.

Modelo Apac

Um dos modelos positivos citados por analistas é o da Apac (Associação de Proteção e Amparo aos Condenados). Ele funciona em mais de 30 unidades em Minas Gerais e no Espírito Santo e abriga aproximadamente 2,5 mil detentos.
O modelo tem uma forte ligação com a religião cristã – fato criticado por alguns especialistas. Suas características principais são proporcionar aos presos contato constante com suas famílias e comunidade, ensinar a eles novas profissões - como a carpintaria e o artesanato – e não usar agentes penitenciários armados na segurança.
Uma das principais vantagens do sistema é a baixa taxa de reincidência dos detentos no crime – entre 8% e 15%, segundo o CNJ. Nos presídios comuns ela pode chegar a 70%, de acordo com a entidade.
Mas para que o modelo dê certo, os presos (dos regimes fechado e semiaberto) que participam dele são cuidadosamente selecionados. Detentos com histórico de violência e desobediência, além de líderes de facções criminosas, geralmente não têm acesso a essas unidades. Mesmo assim, segundo Santos, o índice de fugas ainda seria maior que o do sistema penitenciário comum.
"O modelo da Apac é interessante e funciona muito bem para os presos menos perigosos e eles são a grande maioria (da população carcerária do país)", afirmou Beato.

Modelo americano

Prisão baseada em modelo arquitetônico americano (foto:  Asscom / Sejus)
Estado do Espírito Santo reformulou seu sistema prisional em dez anos
Há pouco mais de dez anos as unidades prisionais do Estado do Espírito Santo viviam uma situação de caos, com um cenário de superlotação, escassez de agentes penitenciários e falta de um modelo de gestão.
Os detentos chegaram a ser colocados em penitenciárias provisórias, nas quais as celas eram feitas de contêineres – o que gerava um calor insuportável e tornava o ambiente insalubre.
A situação caótica virou alvo de críticas de juristas e ativistas, que chegaram a denunciar os abusos a organismos internacionais de defesa de direitos humanos.
"Foi uma época em que vivemos uma situação semelhante à que o Maranhão vive hoje, as celas metálicas foram uma solução imediata para desafogar as unidades e depois reconstruir o sistema", disse o secretário de Justiça do Espírito Santo Eugênio Coutinho Ricas.
O governo local então decidiu investir mais de R$ 450 milhões em um processo de criação das atuais 26 unidades prisionais capixabas.
A construção delas foi feita por empresas estrangeiras e seguiu um modelo arquitetônico padronizado criado nos Estados Unidos. Cada unidade abriga no máximo 600 detentos (Pedrinhas, por exemplo, tem cerca de 2,2 mil presos). Eles ficam divididos em três galerias de celas e não se comunicam.
Os edifícios têm ainda salas específicas onde os detentos participam de oficinas profissionalizantes ou recebem atendimento odontológico e psicológico.
Segundo Ricas, o modelo diminuiu a quantidade de fugas e tumultos e dificultaria ainda a organização das facções criminosas. O esforço do Estado é visto pelo CNJ como um exemplo positivo, segundo o juiz Santos.

Modelo espanhol

Estados como Alagoas, Goiás e Mato Grosso do Sul, entre outros, estão apostando em unidades prisionais de excelência que investem na ressocialização dos presos.
O alagoano Centro Ressocializador da Capital é uma dessas prisões. Segundo o tenente-coronel Carlos Luna, superintendente geral de administração penitenciária de Alagoas, a experiência se baseia em um modelo espanhol e parte do princípio de que um tratamento respeitoso é essencial para a ressocialização dos detentos.
Contudo, uma seleção rigorosa faz com que apenas presos com bom comportamento, que nunca tenham participado de motins e que aceitem participar da experiência sejam selecionados. Eles só são transferidos do sistema carcerário comum para a unidade depois de passar por uma avaliação psicológica onde devem mostrar "vontade de mudar de vida".
Diferentemente da maioria das prisões no Brasil, sobram vagas na unidade, que foi construída para abrigar 155 detentos, mas tem atualmente pouco mais de 130. Os detentos não podem usar entorpecentes e todos eles trabalham na manutenção da unidade e em empresas conveniadas. Até presos que cumprem pena no regime fechado são autorizados a sair desacompanhados para trabalhar.
Ao acabarem de cumprir suas penas, os detentos são encaminhados para convênios do governo com empresas, para a colocação no mercado de trabalho.
"Conseguimos baixar o grau de reincidência para 5%", disse Luna.
Porém, a realidade da unidade é muito diferente do restante do sistema prisional do Estado. "É complicado aplicar esse modelo em unidades grandes", disse.

Ênfase no trabalho

Segundo o CNJ, uma unidade prisional que aplica aspectos positivos no regime semiaberto é o Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, no Mato Grosso do Sul.
Sua principal característica é a ênfase no trabalho, uma vez que a unidade possui nove oficinas de trabalho remunerado – em áreas como tapeçaria, produção de contêineres e portões e cozinha industrial.
Muitos dos presos exercem essas atividades fora do presídio e são as próprias empresas que se responsabilizam pelo seu transporte e medidas de segurança.
Em paralelo, os detentos participam de tratamento para se livrar do vício em entorpecentes.
Fonte e Fotos: BBC

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Foz: 2ª edição da Caminhada de Combate as Drogas e Violência

Foz terá 2ª edição da Caminhada de Combate as Drogas e Violência

A 2ª Caminhada de Prevenção contra as Drogas e Violência de Foz do Iguaçu, irá acontecer no dia 6 de fevereiro a partir das 17 horas. A saída será em frente a Policia Federal, na Avenida Paraná e a chegada na 3ª Pista da JK. O evento terá show da dupla Bruno e Mateus e Banda. A caminhada é promovida pela Secretaria da Juventude e Antidrogas em parceria com representantes da sociedade civil organizada e ONGs.
Segundo o médico pediatra, Camilo Antônio de Lima, presidente do Conselho sobre Drogas de Foz – COMAD/FI esta é uma ação preventiva e de conscientização da população, para a problemática do uso indevido de drogas lícitas e ilícitas. Ele disse ainda que,  em razão da caminhada anteceder ao carnaval, a ação é preventiva. “Obtivemos êxito com esta mobilização no ano passado, quando houve a diminuição dos índices de violência e de uso de drogas nesse período, segundo dados da rede de atendimento existente no município”, destacou.
Camilo Antônio de Lima informou que haverá cartazes por toda a cidade, para que a população participe da mobilização. O evento conta com o apoio de várias entidades e órgãos que trabalham na área. Entre eles Guarda Municipal, representantes da área da Infância e Juventude, Corpo de Bombeiros e outros. 

Fonte: Prefeitura de Foz do Iguaçu

Mutirão Carcerário: Definidas primeiras cidades do Paraná

Definidas primeiras cidades do Paraná a serem submetidas ao mutirão carcerário.

Por: Guilherme Voitch



No Mutirão, promotores, juízes, advogados e servidores da Justiça irão atuar de forma conjunta em espaços integrados, de modo a agilizar o trâmite dos processo

O Mutirão Carcerário vai iniciar suas atividades no Paraná, dia 23, pelas comarcas de Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa. As quatro cidades serão as primeiras a contar com o trabalho de revisão dos processos e inquéritos de presos condenados e definitivos promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).

A definição dos primeiros polos foi feita nesta segunda-feira (1º), em reunião realizada na sede do TJ-PR. O encontro, que também contou com membros do Ministério Público do Paraná, da Ordem dos Advogados do Brasil – seção Paraná (OAB-PR) e do governo estadual, definiu procedimentos para o Mutirão, que será encerrado no dia 14 de maio “Queremos encerrar o mutirão coma revisão de todos os processos e com inspeções realizadas em delegacias e presídios”, diz o juiz auxiliar da presidência do CNJ e coordenador do Mutirão, Erivaldo Ribeiro.

No Mutirão, promotores, juízes, advogados e servidores da Justiça irão atuar de forma conjunta em espaços integrados, de modo a agilizar o trâmite dos processos.

Fonte: Gazeta do Povo

Cresce a participação de mulheres no crime

Em Londrina, as prisões entre o sexo feminino cresceram 76% em 2009. Maioria foi detida por tráfico de drogas

Por: Telma Elorza

 


No período de um ano, o número de mulheres presas em Londrina aumentou 76%. No ano passado, foram 194 mulheres detidas contra 110 em 2008. Os dados são da 10ª Subdivisão Policial (SDP). No total, o número de prisões cresceu apenas 17,7%, com 2.079 prisões em 2008 e 2.448, em 2009. As mulheres representam apenas 7,92% do universo, mas de acordo com o delegado-chefe da 10ª SDP, Sérgio Barroso, apesar do número ser pequeno dentro do universo de prisões, os dados coletados são preocupantes. “Fui obrigado a reativar a carceragem do 4º Distrito (Policial), no ano passado, por causa do número de prisões de mulheres. Se continuar neste ritmo, não sei onde vamos parar”, diz.

Barroso explica que a maioria das mulheres foi presa por tráfico de drogas. “E isso reflete que elas estão ficando muito mais atuantes nesta área. Muitas vezes, o companheiro é detido e ela assume a função, como uma forma de sobrevivência. Ou até cai junto”, explica. Segundo o delegado, o segundo tipo de crime mais praticado pelas mulheres é o furto, também ligado ao tráfico. “A maioria faz isso para sustentar o vício”, explica. De acordo com ele, poucos são os casos onde a mulher usa de violência. “Os casos de homicídios e roubos são minoria. Os de homicídio, por exemplo, são sempre casos de crimes passionais”, afirma.

Os dados da Polícia Civil são confirmados por números da Vara de Execuções Penais (VEP). De acordo com a juíza substituta da VEP, Zilda Romero, 75% das 126 mulheres presas no 3º e 4º Distritos Policiais (DP) foram detidas por tráfico de drogas; 24% por delitos contra o patrimônio (furto) e apenas 1% por homicídio. Entre elas, estão mulheres de 19 a 67 anos.

Os dois distritos são as únicas unidades prisionais femininas disponíveis na cidade com 36 e 24 vagas, respectivamente. No 3º DP estão 50 presas provisórias e 23 condenadas. No 4º DP, são 36 presas provisórias e 17 condenadas. No Estado, só existem duas unidas prisionais para presas condenadas, uma de regime fechado e outra de regime semi-aberto. Ambas ficam em Curitiba. “A maioria das condenadas não quer ser removida. Preferem enfrentar superlotação para não ficar longe dos filhos e companheiros”, diz a juíza. As únicas removidas compulsoriamente são as grávidas. “A partir do 6º mês, fazemos a remoção para o Complexo Médico Penal. Nos DPs é impossível mantê-las e aos bebês”, explica.

Recuperação é mais fácil e reincidência menor

Para a juíza substituta da VEP, Zilda Romero, a entrada da mulher no crime tem um custo social muito maior que o do homem por causa dos filhos. “Quando um homem é preso, bem ou mal, a companheira fica cuidando dos filhos. Quando a mulher é presa, na maioria dos casos o companheiro também já está preso ou ela é sozinha. O resultado é que um número muito grande de crianças fica sem ninguém”, explica. Esses são os casos da maioria das crianças que estão hoje em abrigos, indisponíveis para adoção.
Por outro lado, a juíza vê um aspecto positivo: as mulheres são muito mais fáceis de serem recuperadas e reingressar na sociedade como pessoas produtivas. “Dificilmente elas voltam a reincidir no crime. A maioria já chega na frente do juiz arrependida. Se for jovem, ela se preocupa com o pai ou a mãe. Se for mais velha, com os filhos”, diz.

Segundo ela, poucas têm a mesma atitude de frieza do homem em situações semelhantes. “Se der uma oportunidade para a mulher presidiária, seja de profissão ou estudo, ela vai agarrar com unhas e dentes”, afirma. Isso, segundo ela, é comprovada pelas próprias fichas criminais: são poucas as com antecedentes criminais. “A maioria está presa pela primeira vez”, afirma.

Mara foi presa por associação com o tráfico

No corpo, estão as marcas da violência causada por um ex-companheiro: várias quelóides resultantes de queimaduras de cigarro, feitas durante sessões de tortura. No rosto, no entanto, um sorriso aberto e um brilho no olhar. Difícil entender como Rosemara de Souza, a Mara, 37 anos, presa há quatro, oito filhos (com idades entre 7 e 23 anos), consegue manter a alegria de viver depois de passar por tantas adversidades. Mas é isso que a reportagem encontrou na carceragem do 3º DP de Londrina.

Mara foi presa quando a polícia invadiu sua casa e encontrou papelotes de crack e uma arma escondida. Seu companheiro na época, pai do seu filho mais novo, era um conhecido traficante e foi preso juntamente com ela. A casa em que morava já tinha sido uma “boca” por muitos anos. Ela diz que fez o companheiro parar de vender drogas ali, depois que foi morar com ele. “Mas muitos dos amigos dele da época de ‘boca’ continuava a frequentar minha casa. E um deles levou a droga e arma”, conta. Pelo crime de associação com o tráfico, Mara foi condenada a nove anos de prisão. Ela reconhece que não era inocente. Sabia do tráfico. “Mas eu nunca trafiquei”, diz.

Do semi-aberto voltou para o regime fechado

Mara já poderia estar em liberdade condicional, se não tivesse se evadido da penitenciária de regime semi-aberto, em Curitiba. “Eu fui burra de não avisar eles. Mas eu vim para cá, de portaria, e encontrei meu menino de sete anos cuidando de minha mãe, cadeirante. Ele era o responsável por ela tomar remédios e até levá-la ao banheiro. Quando vi as mãozinhas dele com calos, não pude voltar”, conta. Ficou quatro meses até ser recapturada. A mãe morreu um mês depois. Pegou mais um ano de regime fechado. Mas não se arrepende.

Hoje, Mara conta as horas para sair da cadeia. E tudo o que quer é uma oportunidade de arrumar um emprego. “Aprendi a costurar na penitenciária, mas faço de tudo, faxina, qualquer coisa. O que eu quero é trabalhar”, diz. Tráfico nunca mais. “Não vou voltar pra cá por causa de homem nenhum”, garante.


Fonte: Gazeta do Povo